Como aparecer no ChatGPT? O SEO está a mudar com a Inteligência Artificial

Como aparecer no ChatGPT? O SEO está a mudar com a Inteligência Artificial

A forma como pesquisamos informação online está a mudar. O Google continua a ter um papel central na descoberta de conteúdos, produtos e serviços, mas ferramentas de Inteligência Artificial como o ChatGPT estão a introduzir novas formas de pesquisar e encontrar empresas.

Para as marcas, surge uma nova pergunta: como aumentar a possibilidade de um website ser encontrado e utilizado nas respostas do ChatGPT?

Durante muitos anos, quando alguém precisava de encontrar uma empresa, comparar um serviço ou esclarecer uma dúvida, o processo começava quase sempre da mesma forma: abrir um motor de pesquisa e introduzir algumas palavras-chave.

Hoje, esse comportamento está a evoluir.

Em vez de pesquisar apenas:

“Agência marketing digital Portugal”

um utilizador pode perguntar:

“Que tipo de agência me pode ajudar a aumentar as vendas do meu website?”

Ou:

“Como posso melhorar a taxa de conversão da minha loja online?”

Ou ainda:

“Quais são as melhores estratégias para aumentar a visibilidade online de uma PME?”

Quando utiliza a pesquisa na Web, o ChatGPT pode procurar informação atual, consultar diferentes fontes e apresentar uma resposta acompanhada por referências e ligações para os websites utilizados. A OpenAI explica ainda que o ChatGPT Search pode reformular a pergunta original em uma ou várias pesquisas mais específicas para encontrar informação relevante.

Esta mudança está a criar um novo desafio para as empresas:

Não basta pensar apenas em aparecer no Google. É necessário começar também a compreender como uma marca pode ser descoberta através das novas experiências de pesquisa baseadas em Inteligência Artificial.

O que significa “aparecer no ChatGPT”?

Antes de mais, é importante fazer uma distinção.

Uma coisa é o conhecimento existente num modelo de Inteligência Artificial. Outra é a capacidade do ChatGPT de pesquisar informação atual na Web.

Quando o ChatGPT utiliza pesquisa, pode encontrar páginas disponíveis online e apresentá-las como fontes das suas respostas.

Segundo a própria OpenAI, qualquer website público pode potencialmente aparecer na pesquisa do ChatGPT, desde que possa ser descoberto e acedido pelos seus sistemas.

No entanto, há uma ressalva fundamental:

Não existe qualquer forma de garantir que uma empresa ou website aparecerá numa determinada resposta ou numa posição de destaque.

A OpenAI afirma que a classificação na pesquisa do ChatGPT depende de vários fatores destinados a ajudar os utilizadores a encontrar informação relevante e fiável, mas não existe forma de garantir uma posição de topo.

Não existe, portanto, uma fórmula secreta para ficar em “primeiro lugar no ChatGPT”.

Existem, sim, boas práticas que ajudam a tornar um website tecnicamente acessível, claro, útil e mais preparado para ser encontrado pelos sistemas de pesquisa.

O primeiro passo: permitir que o ChatGPT encontre o website

A OpenAI utiliza um crawler específico para pesquisa chamado OAI-SearchBot.

Um crawler é um sistema automático que visita páginas Web e analisa o seu conteúdo.

Segundo a documentação oficial da OpenAI, o OAI-SearchBot é utilizado para encontrar websites que podem ser apresentados nas funcionalidades de pesquisa do ChatGPT.

Para permitir o seu acesso, o ficheiro robots.txt pode incluir:

User-agent: OAI-SearchBot
Allow: /

Além disso, é necessário garantir que o alojamento, firewall ou CDN do website não bloqueia os endereços IP utilizados pelo crawler.

A OpenAI é bastante clara neste ponto: websites que bloqueiem o OAI-SearchBot não são apresentados nas respostas do ChatGPT Search, embora possam, em determinadas circunstâncias, continuar a surgir como simples links de navegação.

Antes de pensar em estratégias mais avançadas, este é um dos primeiros aspetos técnicos que deve ser verificado.

OAI-SearchBot e GPTBot não são a mesma coisa

Existe alguma confusão entre os diferentes bots utilizados pela OpenAI.

Mas OAI-SearchBot e GPTBot têm finalidades diferentes.

O OAI-SearchBot está relacionado com a pesquisa e com a possibilidade de conteúdos serem apresentados nas funcionalidades de pesquisa do ChatGPT.

O GPTBot, por sua vez, pode rastrear conteúdos que poderão ser utilizados no desenvolvimento e treino dos modelos generativos da OpenAI.

As duas opções são independentes.

Uma empresa pode, por exemplo, permitir que o seu website seja encontrado na pesquisa do ChatGPT e, simultaneamente, indicar que não pretende que os conteúdos rastreados pelo GPTBot sejam utilizados para treino:

User-agent: OAI-SearchBot
Allow: /

User-agent: GPTBot
Disallow: /

Esta separação é explicitamente prevista pela OpenAI.

Ou seja:

Permitir que um website possa aparecer na pesquisa do ChatGPT não significa necessariamente autorizar a utilização dos seus conteúdos para treino dos modelos da OpenAI.

E onde entra o SEO?

É aqui que começam a surgir conceitos como GEO - Generative Engine Optimization e AEO - Answer Engine Optimization.

Estes termos procuram descrever estratégias orientadas para aumentar a visibilidade de conteúdos em motores de resposta e sistemas baseados em Inteligência Artificial.

Mas é importante evitar um erro:

Não sabemos publicamente quais são todos os fatores utilizados pelo ChatGPT para selecionar ou ordenar fontes.

A OpenAI não disponibiliza uma lista de “fatores de ranking do ChatGPT”.

Por isso, não é rigoroso afirmar que determinadas técnicas tradicionais de SEO garantem uma maior posição numa resposta do ChatGPT.

No entanto, muitas das boas práticas que já conhecemos do SEO continuam extremamente relevantes para construir uma presença digital que seja:

  • tecnicamente acessível;
  • fácil de rastrear;
  • clara e bem estruturada;
  • relevante para determinada pesquisa;
  • útil para quem procura informação.

No caso do Google, esta relação é ainda mais direta.

Em julho de 2026, o Google atualizou a sua documentação oficial sobre otimização para experiências de pesquisa generativa e confirmou que as boas práticas tradicionais de SEO continuam a ser fundamentais para AI Overviews e AI Mode.

Portanto, o SEO não desapareceu.

Está a evoluir juntamente com a forma como pesquisamos.

1. Garantir uma boa base técnica

Antes de produzir mais conteúdo, é essencial garantir que os motores de pesquisa e crawlers conseguem efetivamente encontrar e compreender as páginas do website.

Alguns dos principais pontos continuam a ser:

  • páginas acessíveis aos crawlers;
  • robots.txt corretamente configurado;
  • sitemap atualizado;
  • URLs bem estruturados;
  • ausência de bloqueios acidentais;
  • links internos entre conteúdos relacionados;
  • informação importante disponível em texto;
  • páginas adaptadas a dispositivos móveis;
  • boa velocidade e experiência de utilização;
  • utilização correta de canonical URLs.

No caso do Google, para uma página poder surgir como ligação de suporte em AI Overviews ou AI Mode, tem de estar indexada e ser elegível para aparecer normalmente no Google Search. Não existem requisitos técnicos adicionais específicos para estas experiências generativas.

Uma boa presença nas novas formas de pesquisa começa, portanto, com os mesmos princípios técnicos que sempre sustentaram um bom website.

2. Criar conteúdo realmente útil e original

A facilidade com que a Inteligência Artificial permite produzir grandes quantidades de texto está a tornar uma coisa ainda mais importante:

Ter algo relevante para dizer.

Publicar dezenas de artigos que repetem exatamente a mesma informação existente em centenas de outros websites dificilmente constitui uma estratégia diferenciadora.

O valor está cada vez mais no conhecimento que acrescentamos.

Por exemplo:

  • experiência real;
  • casos de estudo;
  • conhecimento especializado;
  • análises próprias;
  • dados originais;
  • comparações;
  • resultados obtidos;
  • exemplos concretos;
  • metodologias;
  • respostas aprofundadas às dúvidas dos clientes.

O Google reforçou precisamente este ponto nas suas orientações de 2026 para pesquisa generativa: os websites devem apostar em conteúdo útil, fiável, original e que acrescente valor para além da informação genérica facilmente encontrada noutros locais.

Em vez de produzir mais conteúdo apenas porque é possível fazê-lo com IA, pode ser mais eficaz produzir menos conteúdo, mas melhor.

3. Responder às perguntas que os clientes realmente fazem

A pesquisa baseada em Inteligência Artificial tende a ser mais conversacional.

Um utilizador já não precisa de pensar apenas em palavras-chave isoladas.

Pode colocar uma questão completa e contextualizada.

Por exemplo, em vez de:

“CRO website”

pode perguntar:

“Tenho muitas visitas no meu website, mas poucas pessoas pedem orçamento. O que posso fazer?”

Isto reforça a importância de compreender a intenção de pesquisa.

As empresas devem identificar:

  • que problemas os clientes querem resolver;
  • que dúvidas surgem antes da compra;
  • que comparações fazem;
  • que objeções apresentam;
  • que informação precisam para tomar uma decisão.

Depois, devem produzir conteúdos que respondam verdadeiramente a essas questões.

Isto não significa criar centenas de páginas praticamente iguais para cada possível variação de uma pergunta.

Significa compreender melhor o problema existente por detrás da pesquisa.

4. Estruturar a informação de forma clara

Um bom conteúdo deve ser fácil de compreender.

Para pessoas e para sistemas que analisam informação.

Uma estrutura lógica continua a ser uma excelente prática:

Título → Introdução → Subtítulos → Explicação → Exemplos → Conclusão

Os subtítulos devem identificar claramente o assunto de cada secção.

Os parágrafos devem ser objetivos.

As respostas mais importantes não devem ficar escondidas no meio de longos blocos de texto sem estrutura.

Mas isso não significa escrever artificialmente “para a IA”.

O próprio Google esclarece que não é necessário dividir conteúdos em pequenos blocos artificiais ou criar diferentes versões do mesmo texto apenas para sistemas generativos.

A prioridade continua a ser simples:

Criar informação clara e útil para quem a procura.

5. Utilizar dados estruturados quando fazem sentido

Os dados estruturados, frequentemente implementados através de Schema.org, ajudam os motores de pesquisa a identificar explicitamente determinados tipos de informação existentes numa página.

Podem ser utilizados, por exemplo, para identificar:

  • artigos;
  • produtos;
  • organizações;
  • eventos;
  • breadcrumbs;
  • receitas;
  • ofertas;
  • determinados dados empresariais.

Continuam a fazer parte de uma boa estratégia técnica de SEO quando utilizados corretamente.

Mas também aqui é necessário evitar exageros.

Não existe atualmente um Schema.org especial que garanta visibilidade nas respostas de Inteligência Artificial.

O Google afirma explicitamente que não é necessária nenhuma marcação especial ou novo tipo de dados estruturados para aparecer em AI Overviews ou AI Mode.

Os dados estruturados devem ser utilizados porque ajudam os motores de pesquisa a compreender determinados conteúdos, não porque sejam um “truque para aparecer na IA”.

6. Construir uma presença digital credível e coerente

A OpenAI afirma que a pesquisa do ChatGPT utiliza vários fatores destinados a ajudar os utilizadores a encontrar informação relevante e fiável. No entanto, não publica a lista completa desses fatores nem explica o peso atribuído a cada um deles.

Por isso, não podemos afirmar que existe um determinado “fator de autoridade” responsável por fazer uma empresa aparecer no ChatGPT.

Podemos, no entanto, afirmar que construir uma presença digital credível e coerente continua a ser uma boa prática.

Um website empresarial deve permitir perceber facilmente:

Quem é a empresa?

O que faz?

Que experiência tem?

Onde está localizada?

Como pode ser contactada?

Quem produz os seus conteúdos especializados?

Além disso, é importante manter informação empresarial consistente e atualizada nos diferentes canais digitais.

A confiança online não se constrói através da repetição de palavras-chave.

Constrói-se através de uma presença digital sólida, transparente e útil.

7. Não utilizar Inteligência Artificial apenas para produzir mais páginas

Outra questão frequente é:

“O Google penaliza textos escritos com Inteligência Artificial?”

A resposta é: não simplesmente por terem sido produzidos com IA.

O Google afirma que a utilização adequada de Inteligência Artificial ou automação para produzir conteúdo não viola, por si só, as suas políticas.

O problema surge quando estas ferramentas são utilizadas para gerar grandes quantidades de páginas sem acrescentar valor aos utilizadores, sobretudo quando o objetivo é manipular os resultados de pesquisa.

Essa prática pode enquadrar-se na política de scaled content abuse do Google.

A Inteligência Artificial pode ser extremamente útil para:

  • investigação;
  • geração de ideias;
  • análise de informação;
  • estruturação;
  • revisão;
  • apoio à produção de conteúdos.

Mas contexto, experiência, validação e conhecimento especializado continuam a fazer a diferença.

8. É preciso criar um ficheiro llms.txt?

Nos últimos tempos começou a surgir o conceito de llms.txt, apresentado por vezes como uma espécie de equivalente do robots.txt destinado aos modelos de linguagem.

Convém distinguir experimentação de requisito técnico.

Atualmente, a documentação da OpenAI sobre inclusão de conteúdos na pesquisa do ChatGPT destaca sobretudo o OAI-SearchBot, o robots.txt e a necessidade de permitir o acesso dos seus sistemas ao website.

Não existe uma indicação oficial de que um website necessite de um ficheiro llms.txt para aparecer na pesquisa do ChatGPT.

No caso do Google, a posição é ainda mais clara: as suas orientações atuais dizem que não é necessário criar novos ficheiros específicos para IA, incluindo llms.txt, para aparecer nas funcionalidades generativas da pesquisa.

Pode ser uma tecnologia a acompanhar, mas não deve substituir os fundamentos de SEO nem ser apresentada como uma solução garantida para melhorar a visibilidade em sistemas de IA.

9. Medir o tráfego proveniente do ChatGPT

Esta nova forma de pesquisa também deve começar a fazer parte da análise de desempenho digital.

A OpenAI inclui automaticamente o parâmetro:

utm_source=chatgpt.com

nos URLs de referência provenientes dos resultados de pesquisa do ChatGPT.

Isso permite identificar visitas provenientes do ChatGPT através de plataformas de Analytics.

Ao longo do tempo, as empresas podem começar a acompanhar não apenas canais tradicionais como:

Organic Search

Paid Search

Social

Referral

mas também referências provenientes de diferentes plataformas de Inteligência Artificial.

Esse tráfego pode ajudar a perceber quais os conteúdos que estão a ser descobertos através destas novas experiências.

GEO e AEO vão substituir o SEO?

Provavelmente, esta não é a melhor forma de olhar para a questão.

Os termos são úteis para descrever novas formas de otimização.

GEO - Generative Engine Optimization é geralmente utilizado para estratégias relacionadas com visibilidade em respostas produzidas por motores generativos.

AEO - Answer Engine Optimization está associado à preparação de conteúdos para sistemas que procuram responder diretamente às perguntas dos utilizadores.

Mas continuam a existir muitos princípios comuns ao SEO.

No caso do Google, a empresa é particularmente clara: as boas práticas de SEO continuam a ser fundamentais para as suas experiências generativas e recomenda que os responsáveis pelos websites deem prioridade a estratégias eficazes de SEO em vez de procurar “hacks de GEO ou AEO”.

Mais do que substituir o SEO, estes conceitos refletem uma expansão da forma como pensamos a descoberta de informação online.

Durante anos, o principal objetivo foi:

Estar bem posicionado numa página de resultados.

Agora existe também outro desafio:

Ser uma fonte relevante quando um sistema de Inteligência Artificial constrói uma resposta.

Então, como aumentar a possibilidade de aparecer no ChatGPT?

Não existe uma fórmula garantida.

Mas há um conjunto de boas práticas sólidas:

  1. Permitir que o OAI-SearchBot aceda ao website.
  2. Garantir que alojamento, CDN ou firewall não bloqueiam o crawler.
  3. Manter uma boa base técnica de SEO.
  4. Criar conteúdos úteis, originais e especializados.
  5. Responder às necessidades e perguntas reais dos utilizadores.
  6. Estruturar claramente a informação.
  7. Manter a informação da empresa atualizada e coerente.
  8. Utilizar dados estruturados corretamente quando aplicável.
  9. Evitar produção massiva de conteúdo sem valor acrescentado.
  10. Monitorizar o tráfego proveniente do ChatGPT e de outras plataformas de IA.

Nenhuma destas medidas garante uma citação ou recomendação numa resposta do ChatGPT.

Mas ajudam a construir uma presença digital tecnicamente acessível, relevante e preparada para as novas formas de descoberta de informação.

O SEO não está a morrer. Está a evoluir.

A chegada da pesquisa generativa não significa o fim do SEO.

Significa uma nova etapa na evolução da pesquisa online.

As pessoas continuam a procurar informação, comparar soluções, avaliar empresas e tomar decisões.

O que começa a mudar é a interface através da qual fazem essa pesquisa.

Em vez de receber apenas uma lista de resultados, podem agora conversar com um sistema de Inteligência Artificial, aprofundar questões e receber respostas construídas a partir de diferentes fontes.

Para as empresas, isso significa que já não basta perguntar:

“Como podemos chegar à primeira página do Google?”

É necessário começar também a perguntar:

“A nossa presença digital está preparada para ser encontrada nas novas formas de pesquisa?”

Os fundamentos continuam familiares: boa tecnologia, conteúdos relevantes, informação clara, experiência de utilização, conhecimento e credibilidade.

O que está a mudar é o local onde esses conteúdos podem ser descobertos.

Na Octágono, acompanhamos esta evolução para desenvolver estratégias digitais preparadas para os motores de pesquisa atuais e para as novas formas de descoberta impulsionadas pela Inteligência Artificial.

Quer perceber se o seu website está preparado para esta nova realidade? Fale connosco.